Os trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) decidiram, em assembléias realizadas no fim da tarde desta sexta-feira (14/9), manter a paralisação da categoria no Paraná. O mesmo deve acontecer nos demais Estados do país.
A direção dos Correios fez pequenas alterações em sua nova proposta. O abono de R$ 400, que inicialmente seria parcelado em duas vezes, foi oferecido num pagamento único. A empresa também desistiu de retirar pais e mães com renda de até 1,2 salário mínimo do plano de assistência médica. Mas não houve nenhum avanço em relação ao reajuste salarial.
Em Curitiba, a nova proposta da empresa foi rejeitada por unanimidade em assembléia realizada após uma passeata que teve a participação de mais de 400 trabalhadores. Os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás, além do Distrito Federal, também já rechaçaram a proposta. A maioria das outras unidades da federação deve realizar assembléias na segunda-feira (17/9).
"Não queremos abono. Queremos reposição das perdas e aumento real de salário", resume Sebastião Cruz, diretor de Finanças e Administração do Sintcom-PR (Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná).
A passeata realizada na capital paranaense partiu da sede estadual dos Correios, localizada no bairro Rebouças, e terminou em frente à agência Central dos Correios, ao lado do prédio histórico da UFPR. A agência —a maior do Estado— permaneceu fechada durante todo o dia.
Ao longo do trajeto, a categoria distribui aos pedestres uma carta-aberta na qual explica as razões da paralisação nacional. "Ninguém faz greve por lazer ou gostar de fazê-la. Para nós, dos Correios, a greve é uma questão de sobrevivência", diz trecho do documento.
Adesão crescente
O Sintcom-PR reitera que a adesão à greve é crescente e já supera o percentual de 80% da categoria na maioria dos 399 municípios do Paraná. O sindicato contesta a alegação da empresa, de que a greve teria uma baixa adesão dos trabalhadores.
"Entre os trabalhadores da área operacional, que são os carteiros e operadores de triagem e que somam mais de 62 mil pessoas em todo o país, a adesão é crescente e chega a quase 100%", afirma Nilson Rodrigues dos Santos, secretário-geral do Sintcom-PR. "Tanto que serviços como o Sedex 10 não estão nem sendo aceitos, porque a empresa sabe que os carteiros estão de braços cruzados em todo o país."
Dos 26 Estados brasileiros, apenas 3 ainda não aderiram à paralisação: Espírito Santo, Sergipe e Roraima.
A partir de segunda-feira (17/9), o Sintcom-PR planeja fechar as maiores agências dos Correios em Curitiba. Nesta semana, já paralisaram as atividades as agências do bairro Rebouças e do Centro.
Antes, no domingo (16/9), a categoria promove, das 10 às 14 horas, uma "greve em família" na Travessa Pinheiro, localizada ao lado da sede estadual dos Correios. Com piscinas de bolinhas e outras brincadeiras para as crianças, o sindicato espera atrair os familiares dos trabalhadores para o movimento grevista.
Num sistema de rodízio, os trabalhadores permanecem acampados ao redor do prédio 24 horas por dia.
A direção dos Correios no Paraná tentou, mas não conseguiu obter o interdito proibitório que proibiria a realização de piquetes pela categoria. "Seria absurdo admitir que a Constituição assegura o direito de greve, mas não assegura que os trabalhadores desenvolvam atos típicos de uma greve em toda e qualquer sociedade, como a de permanecer na entrada da empresa a tentar convencer os demais a não entrarem", diz trecho da decisão do juiz José Aparecido dos Santos, da 17ª Vara do Trabalho de Curitiba.
Reivindicações
Em greve desde a noite da última quarta-feira (12/9), os trabalhadores reivindicam R$ 200 de aumento real linear, além da reposição das perdas salariais que, acumuladas desde 1994, totalizam 47,77%.
A direção dos Correios oferece um reajuste de apenas 3,74%, R$ 50 de aumento real a partir de janeiro de 2008 e um abono de R$ 400. A contraproposta da empresa ainda retira uma série de direitos já conquistados pela categoria, em especial na área de assistência médica.
Cerca de 110 mil pessoas trabalham nos Correios —o maior empregador em regime CLT do país. Desse total, 56 mil recebem salários inferiores a R$ 800. Um carteiro recebe salário inicial bruto de apenas R$ 524,08.Sintect-PR
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