No terceiro dia de greve, os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios de Mato Grosso do Sul fazem hoje assembléia para decidir o retorno ou não ao serviço. Em torno de 80% dos carteiros do Estado estão parados. A categoria reivindica o cumprimento de um acordo firmado em 2007 com a direção da Empresa de Correio e Telégrafos e Governo Federal, de que um abono emergencial se tornaria definitivo a partir deste mês de março.
A assembléia acontece às 16 horas, na Rua Barão do Rio Branco, em frente aos Correios da Rodoviária. Antes da reunião, os carteiros distribuirão uma carta aberta à população, explicando os motivos da greve. Confira o documento na íntegra:
CARTA ABERTA À POPULAÇÃO SUL-MATO-GROSSENSE
Nós, trabalhadores e trabalhadoras dos Correios, estamos revoltados com a atitude da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), que vem atacando seus funcionários de forma proposital.
Em 20 de novembro/2007, firmamos um acordo com a direção dos Correios, Governo Federal, Congresso Nacional e trabalhadores, para substituir o pagamento do Adicional de Periculosidade para carteiro - que foi aprovado pelo Congresso Nacional e vetado pelo Presidente Lula - por um Abono Emergencial provisório por três meses (Dezembro 2007, Janeiro e Fevereiro 2008), e após isso, no mês de Março/2008, o mesmo passaria a ser pago como Adicional de Risco em definitivo. Para nossa surpresa e indignação, o presidente dos Correios afirmou que não iria mais pagar o Adicional de Risco conforme acordado, oficializando um verdadeiro assalto ao salário do carteiro.
Outro prejuízo imposto aos trabalhadores dos Correios é o encerramento do nosso plano de previdência complementar que foi encerrado compulsoriamente sem negociação ou autorização dos funcionários, sendo que o plano tem um rombo de R$ 1,7 Bilhões. Vamos ter que pagar esta conta ou corremos o risco de ficar sem a complementação de aposentadoria do futuro. Queremos que a Empresa, no mínimo, nos dê uma justificativa deste rombo, suas causas, responsáveis se houver, mas também exigimos discutir e negociar o encerramento do plano.
A reformulação do nosso Plano de Carreira Cargos e Salários - PCCS, já vem rolando a vários anos e a diretoria dos Correios não se mostra nem um pouco interessada em negociar, com os trabalhadores, uma proposta que atenda aos nossos anseios, que diminua as distorções salariais existentes, que possibilite a ascensão profissional, que defina claramente as atividades de cada funcionário. A única proposta da ECT é o aumento das atividades de cada funcionário e o pagamento de comisão para alguns cargos que poderão receber uma verdadeira fortuna por mês.
Para completar, pagaram a Participação nos Lucros e Resultados - PLR, referente ao ano de 2007 onde a ECT alcançou um lucro líquido de R$ 830 milhões , que foi o maior lucro da história da Empresa até hoje da seguinte forma: os trabalhadores da área operacional (carteiros, atendentes comercial, e outros), receberam uma média de R$ 400,00, já os diretores e outros cargos de gerência receberam até R$ 48.000,00. Uma verdadeira transferência de lucro de quem produz para quem manda na Empresa.
O caso é vergonhoso pois chega a ser um enriquecimento até mesmo ilícito, pois os critérios foram feitos exclusivamente para enriquecer poucos funcionários, enquanto o restante recebeu uma miséria.
É por estes e outros motivos que nós paralisamos os serviços de entrega de correspondências em todo o Estado de Mato Grosso do Sul.
Sabemos que muitos clientes são prejudicados, mas não podemos deixar a direção da Empresa nos tratar desta forma, tirando nossos direitos, não cumprindo acordo firmado entre a ECT e seus funcionários. Diante de todos esses problemas que estamos enfrentando pedimos a solidariedade da população neste momento de dificuldade para que possamos garantir nossos direitos.
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