O TST (Tribunal Superior do Trabalho) marcou para o início da tarde desta quarta-feira a audiência de conciliação entre a ECT (Empresa de Correios e Telégrafos) e a Fentect (Federação Nacional dos Empregados em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) para dar fim à greve dos funcionários da empresa, que já dura uma semana.
A empresa cumpriu o que havia prometido na segunda-feira e instaurou o dissídio coletivo na noite de ontem. Segundo o TST, o instrutor do dissídio será o ministro Milton de Moura França, vice-presidente da instituição.
A expectativa é de que a empresa não leve nenhuma proposta de reajuste à audiência, esperando pela determinação da Justiça. Isso significa que, por enquanto, não é certo que o reajuste será menor do que o que já havia sido aceito nas negociações e nem que o ponto dos grevistas está cortado --posições levantadas pela própria estatal no início da semana.
Para José Gonçalves, representante do comando de greve da Fentect, a expectativa é de que o contrário aconteça e a direção da ECT apresente uma proposta mais vantajosa. "Vamos na esperança de fechar um acordo", disse. "Esperamos que eles melhorem as condições."
As duas partes ainda apresentam números diferentes quanto à participação dos cerca de 110 mil funcionários dos Correios na greve. O sindicato aponta para 80% de paralisação, atingindo 23 Estados e o Distrito Federal. Já a empresa diz que são apenas 25%.
A última proposta dos Correios --apresentada na tarde de ontem-- foi de aumentar em R$ 10, a partir de abril, o aumento linear que será oferecido a todos os funcionários, que passaria de R$ 50 para R$ 60.
Além disso, foram mantidos outros pontos da proposta que já vinham de antes da greve --abono de R$ 400 e um vale-alimentação extra de R$ 391 em dezembro, reajuste de 3,74%, inclusão dos pais de novos funcionários no plano de saúde e auxílio-creche para até 7 anos de idade.
Já os funcionários dos Correios reivindicam reajuste de 47,77%, aumento linear de R$ 200, a negociação do plano de cargos e salários e a contratação de 25 mil funcionários.
Atendimento ao público
As agências dos Correios estão funcionando normalmente. Porém, não são aceitos produtos Sedex 10 e Sedex Hoje --todas elas fixam prazos de entrega, que não podem ter garantia de cumprimento por causa da adesão à greve mais forte no setor de distribuição e entre os carteiros.
Contas a pagar
A pessoa que possui contas a vencer e que as receberiam nos próximos dias pelos Correios devem procurar os credores para obter outra forma de pagamento. Segundo o Procon, a greve não significa que o cliente pode pagar seus débitos após o vencimento --a decisão depende da empresa que tem contas a receber.
A orientação é para que o consumidor entre em contato com a empresa e solicite outra forma de pagamento --segunda via por e-mail ou fax, por exemplo. O cliente só fica isento de pagar na data caso a empresa não disponibilize outra forma de pagamento --o que deve ser documentado de alguma forma pelo consumidor para ser válido. YGOR SALLES
da Folha Online
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