Privatização da energia entregou riqueza brasileira a multinacionais
Aumentos sucessivos na conta de luz das famílias brasileiras e tarifas que, segundo dados do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), sofreram aumentos de mais 400% nos últimos anos. Essa são as razões que fizeram com que o MAB junto a outros movimentos e organizações da sociedade civil, se mobilizasse para pedir valores mais justos. A "Campanha pela Redução da Tarifa de Energia Elétrica" quer mobilizar a sociedade por meio da realização de Assembléias Populares, contra os abusos existentes nas atuais taxas por quilowatt cobradas no país. Os movimentos consideraram como primeira vitória uma decisão da Justiça Federal de Brasília, que em abril determinou que os consumidores residenciais de todo o país, com média de gastos inferior a 200 quilowatts por mês, tenham direito a desconto de 65% na conta de luz.
Para saber mais sobre esse assunto, a Agência Notícias do Planalto conversou com o integrante da coordenação do MAB, Luiz Dalla Costa. Ouça agora a entrevista.
Agência Notícias do Planalto: Quais as irregularidades vocês apontam na cobrança das contas de luz?
Luiz Dalla Costa: As grandes empresas procuram maior acumulação de riquezas nas altas taxas de juros e nas cobranças das tarifas, que antes eram públicas e agora grande parte é privada. E cobram da população, todo o mês, uma quantia de recursos que acumulam nas mãos das grandes empresas. No caso da energia elétrica nos últimos dez anos, principalmente depois do processo de privatização, houve um aumento excessivo nas taxas de energia elétrica. Alguns estudos apontam que chegou a 400% o aumento das tarifas, que tem crescido muito acima da inflação, penalizando a grande maioria da população brasileira.
ANP: E qual seria um exemplo destes aumentos abusivos, Luiz?
LDC: Hoje, por exemplo, no estado de Minas Gerais há uma tarifa de R$ 0,60 o quilowatt de energia elétrica, enquanto que o custo de geração dessa energia não chega a R$ 0,05. Ou seja, está sendo cobrado mais de dez vezes o custo de produção. Para as grandes empresas que utilizam energia elétrica para exportação de matéria-prima no Brasil (alumínio e celulose), essas grandes empresas fazem contratos e consomem a energia entre R$ 0,05 e R$ 0,10 o quilowatt. As famílias do Brasil estão pagando dez vezes mais caro do que as grandes empresas multinacionais, que tem muito mais dinheiro que a gente.
ANP: Com todo este processo de mobilização, qual vocês acham que será a reação dos donos das empresas de energia?
LDC:Certamente eles vão reagir contra. O objetivo deles é ganhar muito dinheiro nas costas do povo brasileiro. Não é prestar um serviço de boa qualidade. Eles querem vender a energia pelo preço mais alto possível. Então nós sabemos que es vão tentar, como já fizeram em outras vezes, pressionar a população dizendo que não vai ter energia. Mas é importante que a população saiba que os rios que produzem energia precisam estar a serviço do desenvolvimento da melhoria da qualidade de vida da população brasileira. Eles certamente vão fazer de tudo pra continuar explorando o povo brasileiro e para seguir cobrando altas taxas na energia elétrica, na telefonia, na água. Em tudo que eles puderem.
ANP:Quais foram os reflexos das privatizações do governo do Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para o setor elétrico?
LDC:Foram impactos terríveis. No processo de privatização grande parte das riquezas brasileiras foi colocada na mão das multinacionais por um preço irrisório. No sul do Brasil, a empresa Eletrosul teve parte privatizada. Na época o cálculo era de que custaria em torno de R$ 7 bilhões, aquele capital acumulado e pertencente ao governo, foi vendido por R$ 700 milhões, ou seja, dez vezes menos o preço. Pior que isso, é que o próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), que é um banco público, financiou uma parte do dinheiro para as empresas comprarem o próprio capital do governo. Eles diziam que com o processo de privatização aconteceria a melhoria dos serviços e a baixa dos preços. Isso tudo não aconteceu, pelo contrário só serviu para acumulação de riqueza na mão de quem já é muito rico.
Brasília
Agência Notícias do Planalto
Gisele Barbieri
14/08/06
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