A data de 25 de janeiro é especial para os ecetistas pois é o Dia dos Carteiros. Surge então uma pergunta inevitável: o que temos para comemorar? À julgar pelas últimas atitudes da direção da empresa para com os carteiros certamente muito pouco. O corte no trabalho aos sábados, com redução de 15% nos salários e também corte nos tickets-alimentação, mostra a verdadeira face da administração Jânio Pohren: voltada para os funcionários de nível superior e administradores postais, que já ganham altos salários. Com essa ação Jânio “tira com uma mão o que deu com a outra”, ou seja anula a correção salarial recebida no acordo coletivo. Outro agravante é que essa medida joga água no moinho da concorrência, que trabalha até nos sábados e domingos para tentar tirar os clientes da ECT. Será que o senhor Jânio está dentro da ECT à serviço das empresas privadas? Depois do escândalo do Maurício Marinho não duvidamos de nada. O difícil processo de negociação do acordo coletivo em 2005, com uma greve nacional forte e radicalizada entre os carteiros, foi também um retrocesso em relação aos outros anos. Justamente quando pensávamos que o processo de negociação seria mais fácil por termos um funcionário de carreira na presidência e não alguém de fora. Os fatos mostraram o contrário: foi mais fácil negociar com presidentes políticos do que com um Administrador Postal. Mas, se para com os carteiros Jânio atua “na linha dura”, para com seu segmento (nível superior e administradores postais) é pródigo em criar “funções”, que na verdade correspondem a aumento salarial para uma minoria por fora do acordo coletivo. Para os carteiros fica a repressão, o corte de pontos e as demissões que ocorreram em diversos estados após a greve, e para o qual Jânio faz vista grossa e não toma nenhuma medida para reverter, o que significa que concorda e endossa tais atitudes. Também foi divulgado pela imprensa que Jânio seria ligado ao PSDB. Isso também é bem coerente pois o mesmo sempre foi ligado à velha turma que administrava a ECT na era Fernando Henrique Cardoso (FHC) e que entregou as franquias para políticos em todos os estados deste país, inclusive Mato Grosso do Sul, trazendo grandes prejuízos para a ECT até hoje. Será que o governo Lula vai tolerar nos Correios uma administração que está fazendo o jogo do capital privado e do PSDB? Será que o governo Lula quer chegar em outubro, data da eleição presidencial e do dissídio coletivo, com a maior greve que já existiu nos Correios? Por isso tudo é que afirmamos que nós carteiros temos pouco a comemorar no dia 25 de janeiro: os avanços que tivemos sofreram um claro retrocesso. É preciso mudar! E neste ano que começa reafirmamos nosso compromisso com a luta em defesa dos direitos dos carteiros e em defesa também de um Correios Público e de Qualidade!
Todos os direitos reservados a “sintectms” - Desenvolvido por Avalue Sistemas