Funcionários pedem reajuste, mas não conseguem negociar com diretoria e greve deve continuar
Na sexta, funcionários se reuniram na Sé
SÃO PAULO - Nos dois dias de greve de funcionários dos Correios, 9 milhões de entregas deixaram de ser feitas. A paralisação começou na quinta-feira, 13, e na sexta-feira, 14, atingiu 20% dos 110 mil trabalhadores em todo o Brasil. Estão paralisadas a distribuição e entrega, mas cada Estado contratou equipes de emergência.O Sedex 10 e Sedex Hoje, entregues até as 10 horas e no mesmo dia, respectivamente, continuam suspensos. Já o Sedex tradicional funciona normalmente.
Na sexta, a diretoria da empresa se reuniu com representantes dos funcionários. "Querem negociar o plano de carreira, mas não o aumento", disse Amanda Gomes do comando de nacional negociações. Foi pedido 4,91% de reajuste e abono mensal de R$ 200. Os Correios ofereceram uma parcela anual de R$ 400. Segundo a Assessoria de Imprensa, se a greve não acabar até segunda-feira, a empresa vai ao Tribunal Superior do Trabalho. No período da greve, 9 milhões dos 64 milhões de correspondências e objetos deixaram de ser entregues.
A paralisação por tempo indeterminado foi decidida em assembléia na noite de terça-feira, 11. Segundo os Correios, a greve concentrou-se no setor dos funcionários encarregados pela distribuição das correspondências (carteiros, motoristas urbanos e funcionários encarregados da preparação e triagem do material).
Os Correios distribuem cerca de 32 milhões de objetos e cartas por dia. Os funcionários das 12.329 agências e os trabalhadores dos setores de transportes aéreos e terrestres não aderiram ao movimento, segundo a empresa. Para diminuir os estragos, a ECT organizou um esquema de emergência para distribuir as correspondências mais urgentes, como Sedex e boletos bancários.
Negociações
Manuel Cantuária, secretário-geral da Fentect afirmou que a categoria já teve uma reunião com a presidência da empresa na quinta-feira, quando foi informada de que os Correios não fariam propostas em relação ao pedido de reajuste. A empresa estaria disposta apenas a estudar mudanças nos benefícios dados aos funcionários. Por conta disso, a expectativa é de que a greve deve continuar
"Nós não queremos que essa greve se transforme em um caso de polícia ou que vá parar nos tribunais da Justiça do Trabalho. Pretendemos, sim, que a empresa se sensibilize com a situação", afirmou Cantuária. O líder da federação chegou a afirmar que a categoria apóia as declarações do ministro Hélio Costa, das comunicações, que pretende rever o contrato dos Correios com o Bradesco. Em 2002, as duas empresas firmaram contrato e criaram o Banco Postal. No serviço, que tem custo de R$ 20, apenas R$ 2 são destinados aos Correios e o restante fica com o banco.
Os trabalhadores reivindicam aumento de 4,91% e a concessão de uma parcela fixa de R$ 200 nos salários dos trabalhadores, além da abertura das mesas de negociações para a discussão sobre as "perdas históricas" da categoria, que atingiram 47% de 1995 aos dias de hoje.
Os Correios oferecem reajuste de 3,74%, mais parcela fixa de R$ 50 a partir de janeiro de 2008. A empresa também propõe o aumento no valor do vale-alimentação de R$ 15 para R$ 17 e dois abonos de R$ 200. Nas contas dos Correios, esse montante pode representar um aumento 11,2% dos trabalhadores que recebem o piso salarial, de R$ 524. A empresa afirmou que o ponto dos faltosos será cortado. Caso as negociações não avancem, a estatal pretende pedir a suspensão da greve no Superior Tribunal do Trabalho.
Robson Fernandjes/Agência Estado
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