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17 de Setembro de 2007 às 09:16

Correios e funcionários divergem sobre reajuste e greve continua


A direção da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos) e o comando de greve dos funcionários não chegaram a um acordo durante reunião realizada na tarde desta sexta-feira. A única proposta feita pela empresa foi de pagar, de forma unificada, o abono de R$ 400. Com o impasse, os funcionários decidiram manter a paralisação--iniciada na noite de quarta-feira-- em assembléia realizada no início da noite.

"Não houve avanços na questão econômica e nem na assistência médica", disse José Gonçalves, representante do comando de negociação da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares).

A ECT informou que não fará avanços nas propostas e que vai levar o movimento ao TST (Tribunal Superior do Trabalho) na próxima segunda-feira para iniciar o processo de dissídio (arbitragem do conflito), se a greve continuar na próxima semana.

Produtos Sedex 10 e Sedex Hoje não são aceitos porque dão garantia de entrega Segundo a Fentect, a central de Belo Horizonte --responsável por Minas Gerais, exceto o Triângulo Mineiro e a região de Juiz de Fora-- também aderiu à greve. Com isso, o sindicato aponta para uma adesão de aproximadamente 90% --os Correios falam em menos de 20% de pessoas com braços cruzados. Já os funcionários no Espírito Santo preferiram continuar trabalhando. Os demais Estados que ainda não participam da greve --Sergipe e Roraima-- não fizeram assembléias.

As agências dos Correios funcionam normalmente --a maior parte dos atendentes é terceirizada. Porém, não são aceitos produtos Sedex 10 e Sedex Hoje --todas elas fixam prazos de entrega, que não podem ter garantia de cumprimento por causa da adesão à greve mais forte no setor de distribuição e entre os carteiros. O Disque-Coleta (serviço de atendimento a domicílio) também não funciona integralmente.

Os Correios informaram que além de cortar o ponto dos grevistas, estão contratando pessoal extra e transferindo funcionários da área administrativa para o setor operacional. As medidas integram um plano de contingência.

Negociação
O sindicato pede reajuste de 47,77% como reposição de perdas salariais do período de 1994 até hoje, um aumento linear de R$ 200, a negociação do plano de cargos e salários para a estatal e a contratação de mais 25 mil funcionários, em especial para o setor operacional.

As agências estão funcionando normalmente Já a direção dos Correios fizeram antes da greve uma proposta de aumento linear de R$ 50 e reajuste salarial de 3,74% --o que significa um aumento entre 4,36% a 13,28%, conforme a faixa salarial--, além de abono linear de R$ 400 e um vale-alimentação extra de R$ 391 em dezembro. Também oferecem isonomia no parcelamento da devolução do adiantamento de férias em até 5 vezes e aumento dos valores de todos os benefícios e gratificações, variando de 13,33% a 5%.

Os Correios informaram ainda que de 2002 até o último acordo o aumento acumulado foi de 103,35%, enquanto a variação do IPCA (índice que mede a inflação) no mesmo período foi de 46,87%. Para a empresa, isso significa que não há perda para ser recuperada.

Contas a pagar
A pessoa que possui contas a vencer e que as receberiam nos próximos dias pelos Correios devem procurar os credores para obter outra forma de pagamento. Segundo o Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor), a greve não significa que o cliente pode pagar seus débitos após o vencimento --a decisão depende da empresa que tem contas a receber.

A orientação é para que o consumidor entre em contato com a empresa e solicite outra forma de pagamento --segunda via por e-mail ou fax, por exemplo. O cliente só fica isento de pagar na data caso a empresa não disponibilize outra forma de pagamento --o que deve ser documentado de alguma forma pelo consumidor para ser válido. YGOR SALLES da Folha Online


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