Trabalhadores apresentam lista de reivindicação e se preparam para paralisar as atividades a partir do dia 27
As entregas de correspondências devem ficar ainda mais lentas a partir da próxima semana, quando se intensificam as mobilizações dos funcionários dos Correios em todo o país. Descontentes com os índices repassados no programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o déficit de trabalhadores e possíveis mudanças no estatuto da empresa, que ainda não foram apresentadas aos servidores, eles parar as atividades, por tempo indeterminado, no próximo dia 27 de abril.
O indicativo de greve deliberado pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) ainda precisa ser votado em assembleia nos estados. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Estado de Goiás (Sintect-GO), Elizeu Pereira da Silva, a tendência é de que a paralisação tenha a adesão da maioria dos trabalhadores goianos devido a insatisfação com as atuais condições de trabalho.
Ele afirma que a sobrecarga tem prejudicado a saúde dos funcionários. Para se ter uma ideia, hoje, há uma escassez de 330 carteiros em todos os municípios goianos. A Capital possui 620 profissionais, no entanto, seriam necessários mais 150 para atender a demanda. "As ruas de todos os novos bairros, que surgiram em Goiânia, nos últimos cinco anos não possuem centro de distribuição. Em locais, como Jardim do Cerrado, as entregas são feitas somente uma vez por semana. Por isso, a população tem sofrido com os atrasos nas entregas."
Na tentativa de atender às reivindicações dos profissionais, os Correios anunciaram, na semana passada, a abertura de duas novas seleções para o preenchimento de 9.190 vagas de níveis médio e superior. Para Goiás, foram destinadas 365 postos, sendo 224 carteiros, 115 atendentes e 35 operadores de triagem. As inscrições começaram na última sexta-feira, 25, e seguem até 5 de abril. As provas objetivas são previstas para 15 de maio.
Mas, de acordo com o cálculo do Sintect-GO, o número de vagas abertas para carteiros ainda não suprirá as deficiências do quadro de profissionais. Além disso, Elizeu Pereira diz que outro fator que tem gerado alerta entre os funcionários dos Correios é a falta de estrutura para a realização das atividades cotidianas, como escassez e sucateamentos de bicicletas e motocicletas, falta de segurança nas agências e de funcionários administrativos para a organização e despache das correspondências.
O presidente do Sintect denuncia que muitas motos estão paradas nos depósitos por falta de manutenção e a má qualidade das bicicletas tem provocado acidentes de trabalho. "Recentemente, um colega de Rio Verde caiu da bicicleta, que praticamente se desmontou no trânsito, e teve que fratura no rosto e precisou de cirurgia. O sucateamento também provocou uma queda de um funcionário de Goiânia".
Elizeu Pereira também destaca que mudanças arquitetadas para o estatuto dos Correios tem gerado apreensão na categoria. "Sabemos que um novo estatuto está sendo discutido pela direção da empresa, mas até agora nada nos foi informado. Não dá para aceitar que eles alterem o estatuto de portas fechadas".
Ele reforça que qualquer mudança no documento afetará diretamente a vida dos trabalhadores. "Queremos discutir as propostas e exigimos que sejam apresentadas no Congresso. O estatuto foi promulgado por decreto, em 1969. Esperamos que o governo não repita agora uma medida tomada na época de ditadura militar".
A diretoria regional dos Correios em Goiás, por meio da assessoria de imprensa, alega que ainda não recebeu um comunicado oficial sobre a greve e o calendário de mobilizações. Por isso, ainda não preparou audiências para discutir as reivindicações com os trabalhadores.
Vigilância armada nas agências
Uma decisão judicial obriga que os Correios implantem vigilância armada em todas as agências de Goiás num prazo de 120 dias. A ação civil pública impetrada pelo Sintect-GO, há quase dois anos, foi acatada no último dia 17 de março, durante conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
Além da contratação de vigilantes armados para a segurança dos trabalhadores e clientes, as agências deverão também instalar câmeras de circuito interno de TV e de cofres com dispositivos de retardo eletrônico. Os recursos necessários à contratação já foram disponibilizados e giram em torno de R$ 6 milhões anuais. Caso a decisão não seja cumprida dentro do prazo estabelecido pela justiça, cada agência infratora poderá receber multa de R$ 2 mil.
O presidente do Sintect-GO, Elizeu Pereira da Silva, diz que a vitória inédita conquistada pelos trabalhadores goianos abre um importante precedente para os demais estados. "Nenhum outro sindicato conseguiu garantir na justiça a obrigatoriedade dos Correios oferecerem estes dispositivos de seguranças nas agências, apesar dos constantes e crescentes números de assaltos nestas unidades dos Correios em todo o Brasil".
Para nortear a cronograma de implantação dos sistemas de segurança e da vigilância armada, um levantamento do número de assaltos ocorridos nas agências do Estado, nos últimos três anos, será utilizado pelo Sintect-GO para deliberar as unidades que deverão ser atendidas emergencialmente.
Confira as reivindicações
O que querem os trabalhadores
*Ampliar o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR)
*Discutir possíveis mudanças no estatuto da ECT
*Abertura de concurso público
*Melhores condições de trabalho
Calendário de mobilização
*21 de março a 08 de abril - Mobilização nas bases
*11 de abril - Envio de caravanas à Brasília
*12 de abril - Ato em frente à ECT
*13 de abril - Ato em frente ao Ministério das Comunicações
*14 de abril - Ato em frente à Casa Civil
*19 de abril - Assembleia para votar o estado de greve
*26 de abril - Assembleia para votar a greve por tempo indeterminado
fonte: Tribuna do Planalto - Comunitária
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