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17 de Setembro de 2008 às 13:27

Campanha dos Correios esconde motivos de afastamento dos trabalhadores


A campanha para reduzir os ataques de cães a carteiros, lançada neste mês de setembro pela Empresa Brasileira de Correio e Telégrafos (ECT), é uma forma de maquiar os verdadeiros índices de afastamento dos trabalhadores, devido aos problemas de saúde.

As ocorrências com mordida de cachorro figuram em terceiro lugar, entre as causas de acidente de trabalho nos Correios. De 2005 a 2007 o número de ocorrências caiu perto de 13%. No entanto, os acidentes continuam preocupantes, já que o número real de mordidas de cachorro é maior, uma vez que não são registrados os ferimentos mais leves.

O secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR), Nilson Rodrigues dos Santos, credita o alto número de ataques à sobrecarga de trabalho. “Está faltando trabalhadores. Os carteiros, na pressa de cumprir o roteiro, acabam feridos devido ao grande volume de correspondência que precisa entregar num só dia”, destaca.

Estatísticas divulgadas pela própria empresa revelam que, nos últimos cinco anos, mais de 5 mil carteiros sofreram ataques de cães no Brasil. Apenas em 2007, foram 1.098 ataques. A maior incidência ocorre nas regiões Sul e Sudeste. O Estado de São Paulo é o campeão, com 1.612 casos desde 2003. Em seguida vem Paraná (1.047), Rio Grande do Sul (680) e Rio de Janeiro (474).

Muitos casos, que não são mostrados pela empresa, aparecem no dia-a-dia de quem opera a distribuição das correspondências. Hoje, no Paraná, chegam perto de 400 o número de trabalhadores longe da atividade, devido aos problemas psicológicos, coluna, muscular e mordedura de cães.

A ECT, no entanto, não reconhece alguns tipos de doenças. LER (Lesão por Esforço Repetitivo), tendinite e dores na coluna não entram no CAT (Comunicado de Acidente de Trabalho), como doenças ocupacionais, ou seja, contraídas durante o trabalho. Este documento é que indica se o trabalhador terá direito à licença médica.

“Estes (problemas de saúde) são os números 1 e 2 que a estatística não revela. Por que a ECT não cria uma campanha de prevenção destas doenças? A empresa deve não acreditar que trabalho demais pode causar algum dano à saúde”, destaca o diretor do Sintcom-PR, Sandro Oliveira.

Outra dificuldade enfrentada pelos trabalhadores é na hora do laudo médico. Enquanto um médico particular indica uma tendinite, por exemplo, a avaliação da ECT mostra apenas uma fibrimialgia. Neste caso, a doença não será relatada pelo CAT e o trabalhador não tem direito a licença para tratamento e precisa continuar trabalhando. “A empresa dificulta ao máximo o afastamento do trabalhador. A doença pode evoluir e prejudicar ainda mais a saúde do funcionário”, diz Sebastião Cruz, diretor do Sindicato.

Doenças como síndrome do pânico, adquirida pelo medo de assaltos nas agências, acidente de motos e carros são outros números que a ECT não mostra para a sociedade. “Queremos um trabalho amplo de prevenção, oferecendo condições para que os funcionários dos Correios trabalhem em segurança”, conclui Nilson. Fonte: Sintect-PR


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